quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Finep terá programa permanente de crédito para inovação

A FINANCIADORA DE ESTUDOS E PROJETOS (Finep) vai criar um programa de crédito permanente para ajudar empresas inovadoras a manter investimentos constantes em pesquisa e desenvolvimento (P&D). Segundo o presidente da agência, Glauco Arbix, a ideia é trocar a lógica de apoio isolado a projetos por uma espécie de crédito pré-aprovado para dar suporte financeiro à atividade global de pesquisa de grandes empresas.Cada operação pode chegar a R$ 200 milhões. A conta Inova Brasil P&D, que deverá ser lançada nos próximos dias, foi apresentada hoje à diretoria da Finep. Identificada com o fomento de empresas de base tecnológica, a instituição ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia quer alcançar mais companhias de grande porte com um instrumento concreto para convencê-las a manter e ampliar os aportes em inovação e competitividade, diretriz do Plano Brasil Maior, sobretudo em meio à crise internacional.

Leia mais: BNDES e Finep terminam seleção de planos de empresas

Figuram entre os tomadores recorrentes da Finep grandes empresas como Embraer, Vale, Fibria, IBM, Totvs, Petrobras e Braskem, mas a agência tem que avaliar cada projeto. Segundo Arbix, o programa que ele chama de "carteira especial" poderá financiar de forma permanente companhias que investem em P&D de forma sistemática.
A empresa poderá obter uma linha de crédito pré-aprovado de 3 a 5 anos. No primeiro, receberá o equivalente à média do que aplicou em P&D nos últimos dois anos. Se cumprir os projetos, terá 10% a mais no ano seguinte.
As interessadas poderão ainda aumentar em 5% o limite de crédito cada vez que cumprirem uma das exigências criadas pela Finep para incentivar indicadores como: aumento da média de escolaridade dos funcionários, internalização de processos de tecnologia e engenharia, contratação de mestres e doutores, inclusão de pequenas empresas de base tecnológica entre os fornecedores e parceria com instituições científicas.
"Se cumprir todos esses itens, a empresa poderá chegar a transformar 135% do seu investimento em inovação em crédito automático. Além de reduzir a burocracia de analisar um projeto de cada vez, esse programa dá impulso concreto à formação de um grupo de empresas que investem regularmente em P&D, que é a grande dificuldade do Brasil. O investimento em inovação aqui ainda é muito intermitente", afirmou Arbix, em entrevista ao Grupo Estado.

Veja também: Governo transforma Finep em banco e eleva recursos para inovação

Os recursos repassados pela Finep virão do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), pelo qual o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) oferece taxas de 4% ao ano com subsídio do Tesouro Nacional, a exemplo do que já tem sido feito pela instituição para aumentar os desembolsos desde o ano passado. Em 2011, a Finep acumulou uma carteira de R$ 9 bilhões em diferentes fases de tramitação, da qual quase R$ 3 bilhões foram contratados.
As liberações alcançaram R$ 1,87 bilhão, 56% acima do desembolso de 2010, com a redução de quase dois terços do tempo médio de análise dos projetos. No final do ano, o Ministério da Fazenda aprovou a liberação de novo repasse de R$ 2 bilhões do BNDES/PSI para a Finep, que espera receber mais R$ 3 bilhões este ano.
Enquanto conduz no governo o processo de transformação da Finep numa agência de fomento com status de instituição financeira e gestora de recursos, Arbix tenta prepará-la para realizar operações de maior volume, dado o crescimento da demanda das grandes empresas por recursos para inovação. Com o patrimônio atual de cerca de R$ 900 milhões, a Finep tem hoje um limite de cerca de R$ 200 milhões para cada operação de crédito.
A carteira total, atualmente em R$ 6 bilhões, pode superar uma demanda total de R$ 10 bilhões este ano. "No passado, dizia-se que havia dinheiro, mas não havia projeto. Há uma mudança real. Problemas estruturais de competitividade persistem, mas a inovação é hoje parte de uma agenda positiva em vários setores, não só na indústria.
Cerca de 70% dos nossos recursos vão para áreas prioritárias na economia, como pré-sal, etanol, saúde e tecnologia da informação", diz Arbix. Na outra ponta, a Finep mantém a subvenção de projetos de pequenos empreendedores com recursos não reembolsáveis e lança nos próximos dias o Tec-Inova, um programa para descentralizar o fomento à inovação entre micro e pequenas empresas.
Sem capilaridade, a Finep vai firmar convênios com estados para que órgãos de fomento locais avaliem projetos para serem financiados pelo programa, que terá R$ 220 milhões iniciais da instituição federal. Outros R$ 50 milhões do Sebrae completam o orçamento para financiar a gestão dos negócios. A meta é selecionar 700 empresas em todo o País.

Publicado por Portal IG - Economia

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