quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Braskem investe R$ 130 mi para ‘limpar’ Camaçari

Cetrel, braço de negócios ambientais do grupo, desenvolve projeto para reúso de água e gestão de resíduos no polo baiano.
Criada para ser a empresa responsável pela proteção ambiental do complexo industrial de Camaçari (BA), a Cetrel, controlada pela Braskem, amplia sua atuação investindo em tecnologia de ponta na área de engenharia ambiental e desenvolvimento sustentável.
Com o fôlego que ganhou após receber o empréstimo de R$ 130 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), no final do ano passado, a empresa prepara-se para levar adiante o projeto de agregar valor aos resíduos das indústrias do polo, e utilizá-los como insumos para a fabricação de produtos em parceria com indústrias nacionais.
Prepara-se também para inaugurar este ano a primeira fase do projeto de recuperação de água de chuva na bacia de contenção de Camaçari, com o qual pretende economizar 900 m3/h de água, o que equivale ao consumo de uma cidade de 100 mil habitantes.
O projeto é o mais adiantado entre aqueles que buscam reaproveitar a água nas instalações do polo. "Com o aumento do número das empresas em Camaçari, estamos caminhando para um déficit de disponibilidade de água", diz o presidente da Cetrel, Nei Silva.
Ele explica que hoje os efluentes líquidos, resultantes do uso nas torres de resfriamento e no processamento de produtos petroquímicos, passam por tratamento nas estações da Cetrel e são descartados pelo emissário submarino.
Já existem plantas-piloto em algumas unidades que preveem o tratamento para reúso, e que resultaram numa economia de 20% no consumo, equivalente a 13,5 milhões de metros cúbicos de água.
Mas, além disso, a Cetrel está construindo uma rede de captação que destinará a água da chuva e a metade dos efluentes inorgânicos a uma grande bacia de contenção, já existente, diminuindo a captação fluvial.
Nessa primeira fase, o sistema deverá abastecer 60% da demanda total das três torres de resfriamento da Unidade de Insumos Básicos (Unib) da Braskem. "Em vez de devolver, vamos estocar a água, tratar e reutilizar", explica Silva.
O projeto requereu um investimento de cerca de R$ 17 milhões. A segunda fase, prevista para ser concluída no próximo ano, e que pode demandar um aporte de até R$ 35 milhões, visa recuperar a maior parte dos efluentes orgânicos gerados pela própria Unib.

Resíduos com valor

Entre os projetos gerados no Centro Tecnológico de Biocompósitos da Cetrel, o mais adiantado é o aproveitamento do cascalho de perfuração de poços da Petrobras, que hoje é descartado, para pavimentação.
O asfalto ecológico também pode ser feito a partir dos resíduos gerados no pólo ou descartados pela construção civil.
Outro projeto em vias de ganhar o mercado é o da madeira plástica, que utiliza resíduos sólidos de fibra natural e resinas da Braskem, agregados a outros produtos industriais para aplicações em utensílios, móveis ou até mesmo componentes para a indústria automobilística, aeronáutica e eletroeletrônica.
A Cetrel prevê também a conclusão em março da primeira unidade em escala semi-industrial, em parceria com o grupo usineiro JB, de Pernambuco, de aproveitamento do bagaço e do vinhoto, subprodutos do processamento da cana.
Atualmente, as usinas de açúcar e álcool descartam esse material, ou utilizam em processos de fertirrigação de lavouras. Às vezes, também aproveitam o resíduo para a produção, por meio da biodigestão, de vapor para movimentar caldeiras.
A novidade é que a Cetrel decidiu adotar o vinhoto como insumo para geração de energia.

Por Martha San Juan França (mfranca@brasileconomico.com.br)
Publicado por Brasil Econômico

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